Sentou e pediu logo duas doses de uísque.
- Rápido que estou com sede!
O garçom olhou sobre os ombros, jogou o pano sobre o balcão e vagarosamente andou até a prateleira das bebidas.
- Com gelo? - Perguntou, assim, meio sem querer falar.
- Puro. Sem gelo. E pode deixar a garrafa sobre o balcão. - Respondeu com ar de quem iria afundar as mágoas do dia.
O garçom já estava acostumado com essas situações. O marido traído que pegou a mulher no flagra. O corno que levou um chute. Ou o funcionário exemplar demitido injustamente. Mas aquele ali parecia ser diferente, havia algo em seu olhar. Melancolia, ingenuidade. Resolveu investigar.
- Não prefere uma cerveja? Gelada, mais leve. Com colarinho. Aí você poderá relaxar, curtir a noite. Paquerar. Olhar para aquela lua linda.
- Puta que pariu! Eu pedi duas doses de uísque, sem gelo. Puro. É difícil entender ou terei que, eu mesmo, ir até aí e me servir?
- Não. Eu só pensei que...
- Eu pedi para você pensar? Pedi para você servir. Duas doses, mais nada. - Realmente sua irritação começa a transparecer. Algumas gotas de suor escorreram por sua testa, as veias laterais estavam dilatadas, forçando a pele, como se quisessem pular para fora e deixar jorrar o sangue.
- Tudo bem. Este uísque não é dos melhores mesmo, eu já queria me livrar dele. - disse isto derrubando a garrafa no chão.
Os olhos de Artêmio, este é o nome do cliente, se encheram de cólera. Viu seu precioso líqüido escorrer pelo chão sujo, daquele bar imundo. Sua respiração ofegante deixava à mostra suas narinas peludas. Pulou por sobre o balcão e agarrou o garçom pelo colarinho.
- Como ousa! - As palavras escaparam de sua mente. Não conseguiu balbuciar mais nenhuma letra. Ficou atônito quando sentiu o bigode grosso do garçom em seu lábios. Nunca havia imaginado algo assim.
Tentou ainda desvencilhar-se. Em vão. Não pode resistir ao beijo caloroso. Aquela língua áspera e molhada invadiu sua boca.
Nilson, o garçom, empurrou-o para os fundos do bar. Sentou Artêmio sobre uma caixa de cerveja e começou a tirar sua própria camisa. Artêmio estava ali, pálido, sem ação. Seus olhos estavam fixos, vidrados. Nilson, como se estivesse ouvindo uma música, rebolava e puxava sua cueca de lacinho. Dois pequenos corações enfeitavam sua traseira.
Artêmio não resistiu, se entregou aos braços carnudos. Ficaram até amanhecer entre as caixas de cerveja e a porta do banheiro encardido. Revezavam-se no ato e, a cada instante, repetiam juras de amor.
- Eu vi isso no cinema, mas nunca achei que aconteceria comigo. - Disse Nilson, ainda sedado de êxtase. Artêmio sorriu levemente e fechou a boca de seu parceiro com um dedinho: - Shhh. Silêncio, não fale nada.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
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2 comentários:
HAHAHAHAHAHA!!! Essa é outra pérola! Já tinha lido mas havia esquecido. Muito boa também!! tens q publicar um livreto com tudo isso cara.
beijao
xIII ESSE cara é um boyla, e não serve p/ beber wisky, muito menos cerveja que já põe o seu lado lobsomen p; assombrar qualquer cristão.
vá de retro satanás
Deus é mais poderoso que essas fraquesas boilisticas.
Sina Bob.
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