segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Cerveja, cueca e cinema

Sentou e pediu logo duas doses de uísque.

- Rápido que estou com sede!

O garçom olhou sobre os ombros, jogou o pano sobre o balcão e vagarosamente andou até a prateleira das bebidas.

- Com gelo? - Perguntou, assim, meio sem querer falar.

- Puro. Sem gelo. E pode deixar a garrafa sobre o balcão. - Respondeu com ar de quem iria afundar as mágoas do dia.

O garçom já estava acostumado com essas situações. O marido traído que pegou a mulher no flagra. O corno que levou um chute. Ou o funcionário exemplar demitido injustamente. Mas aquele ali parecia ser diferente, havia algo em seu olhar. Melancolia, ingenuidade. Resolveu investigar.

- Não prefere uma cerveja? Gelada, mais leve. Com colarinho. Aí você poderá relaxar, curtir a noite. Paquerar. Olhar para aquela lua linda.

- Puta que pariu! Eu pedi duas doses de uísque, sem gelo. Puro. É difícil entender ou terei que, eu mesmo, ir até aí e me servir?

- Não. Eu só pensei que...

- Eu pedi para você pensar? Pedi para você servir. Duas doses, mais nada. - Realmente sua irritação começa a transparecer. Algumas gotas de suor escorreram por sua testa, as veias laterais estavam dilatadas, forçando a pele, como se quisessem pular para fora e deixar jorrar o sangue.

- Tudo bem. Este uísque não é dos melhores mesmo, eu já queria me livrar dele. - disse isto derrubando a garrafa no chão.

Os olhos de Artêmio, este é o nome do cliente, se encheram de cólera. Viu seu precioso líqüido escorrer pelo chão sujo, daquele bar imundo. Sua respiração ofegante deixava à mostra suas narinas peludas. Pulou por sobre o balcão e agarrou o garçom pelo colarinho.

- Como ousa! - As palavras escaparam de sua mente. Não conseguiu balbuciar mais nenhuma letra. Ficou atônito quando sentiu o bigode grosso do garçom em seu lábios. Nunca havia imaginado algo assim.

Tentou ainda desvencilhar-se. Em vão. Não pode resistir ao beijo caloroso. Aquela língua áspera e molhada invadiu sua boca.

Nilson, o garçom, empurrou-o para os fundos do bar. Sentou Artêmio sobre uma caixa de cerveja e começou a tirar sua própria camisa. Artêmio estava ali, pálido, sem ação. Seus olhos estavam fixos, vidrados. Nilson, como se estivesse ouvindo uma música, rebolava e puxava sua cueca de lacinho. Dois pequenos corações enfeitavam sua traseira.

Artêmio não resistiu, se entregou aos braços carnudos. Ficaram até amanhecer entre as caixas de cerveja e a porta do banheiro encardido. Revezavam-se no ato e, a cada instante, repetiam juras de amor.

- Eu vi isso no cinema, mas nunca achei que aconteceria comigo. - Disse Nilson, ainda sedado de êxtase. Artêmio sorriu levemente e fechou a boca de seu parceiro com um dedinho: - Shhh. Silêncio, não fale nada.

2 comentários:

Haas Duman disse...

HAHAHAHAHAHA!!! Essa é outra pérola! Já tinha lido mas havia esquecido. Muito boa também!! tens q publicar um livreto com tudo isso cara.

beijao

Unknown disse...

xIII ESSE cara é um boyla, e não serve p/ beber wisky, muito menos cerveja que já põe o seu lado lobsomen p; assombrar qualquer cristão.

vá de retro satanás
Deus é mais poderoso que essas fraquesas boilisticas.

Sina Bob.